A Genealogia é o ramo da História que se dedica ao estudo das famílias, à sua origem e evolução, descrevendo as gerações em cadeia (em sentido ascendente ou descendente) e traçando, sempre que possível, as biografias dos seus membros.
GENEALOGIA.
É «a ciência das relações de parentesco entre os homens» (Forst de Battaglia). Tendo como finalidade a prova de heranças e de direitos de hereditariedade, remonta a tempos muito antigos; como ciência metodicamente organizada, foi criada por J. G. Gatterer (1727-99) e O. Lorenz (1832-1904) cuja «teoria das gerações» como «sistema natural de períodos históricos» não encontrou aliás eco no seu tempo. As relações de parentesco podem ser expostas por formas diversas: quadro de antepassados, que, partindo de determinado individuo, começam por lhe referir os pais, em seguida os pais dos pais, etc.; quadro de descendência, que, partindo de um individuo, lhe apresentam os filhos, depois os filhos dos filhos, etc.; quadro genealógico, isto é, a descendência limitada aos portadores do mesmo nome, ou seja excluindo a descendência por parte das filhas do quadro de descendência; quadro de parentesco, que, de determinado aspecto, faz escolha a partir dos quadros acima referidos.
Na prática é raro a genealogia limitar-se à pesquisa de simples relações de parentesco (Inicio do Novo Testamento: «Abraão gerou Isaac – Isaac gerou Jacob...»), abrangendo também informações pessoais (prosopografia, biografia), referindo datas, itinerários e anedotas. Quando, em vez de se limitar ao parentesco de família, se debruça sobre círculos mais amplos (aldeias, cidades, países, grupos de emigração) a genealogia alarga-se em demografia, dificilmente se separando da História em geral, tornando-se então evidente até que ponto a genealogia e os acontecimentos de carácter pessoal constituem a par do registo de direitos - uma das bases da historiografia.
Se pretende conhecer as suas raízes familiares e estudar a sua ascendência, tenha em conta as seguintes indicações:
- Qualquer trabalho de pesquisa genealógica deverá iniciar-se tendo por base os assentos de baptismo, de casamento e de óbito, registados nos livros paroquiais (livros de baptismos, de casamentos e de óbitos). Por vezes, os livros paroquiais são mistos, isto é, concentram no mesmo livro registos de baptismos e de casamentos ou de óbitos. Esta situação é sobretudo frequente nos livros mais antigos. Estes registos estavam a cargo dos párocos, motivo porque cada livro só inclui assentos de uma paróquia ou freguesia.
- Sobretudo através dos assentos de baptismo e de casamento obtêm-se informações essenciais para o estudo de qualquer família, como sejam: duas ou até três gerações com os nomes das pessoas, datas, naturalidades, moradas, profissões, relações de parentesco com os padrinhos e testemunhas, etc.
- O registo dos baptismos e dos casamentos "em livro próprio" só passou a ser obrigatório a partir de 1563 (por força de uma norma da 24ª sessão do Concílio de Trento), muito embora numerosas paróquias já o praticassem anteriormente. A obrigatoriedade do registo dos óbitos data de 1614.
- Os livros paroquiais com menos de 100 anos encontram-se ainda nas Conservatórias do Registo Civil, enquanto que os mais antigos acham-se por norma depositados nos Arquivos Distritais, dependentes do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT).
- Segundo as informações da Torre do Tombo, o Arquivo Distrital de Lisboa está integrado na sede do IAN/TT e nele se conservam os antigos livros paroquiais das freguesias de todos os concelhos do distrito de Lisboa, desde o século XVI até aos finais do XIX. Neste Arquivo Distrital encontram-se ainda depositados muitos dos livros paroquiais de outros distritos, a saber: Beja, Bragança, Castelo Branco, Faro, Guarda, Santarém e Vila Real.
- Os respectivos índices encontram-se à disposição dos leitores na Sala de Referências da Torre do Tombo. Para facilitar a pesquisa, os leitores devem consultar o Inventário Colectivo dos Registos Paroquiais, vol. I - Centro e Sul e vol. II - Norte (só abrange Portugal continental), bem como o Inventário dos Registos Paroquiais - Lisboa Cidade (concelho de Lisboa) e o respectivo índice informatizado.
- Se apenas tem conhecimento dos nomes dos seus avós, deverá iniciar a sua pesquisa procurando obter uma certidão do registo de nascimento dos seus pais, dirigindo-se para o efeito à respectiva Conservatória do Registo Civil. Através deste documento fica a conhecer os nomes dos seus bisavós, bem como outros elementos biográficos. O mesmo deverá depois fazer para os registos de nascimento dos seus avós, através dos quais ficará também a conhecer os seus trisavós. No caso dos seus avós terem nascido há mais de 100 anos, deverá procurar os respectivos assentos de baptismo nos Arquivos Distritais.
- Sempre que procurar um assento de baptismo ou de casamento no tempo, tenha presente que normalmente as gerações têm intervalos médios de 25 anos. Porém, há sempre excepções.
- À medida que vai conhecendo os seus antepassados e construindo a sua árvore genealógica, com base nos registos paroquiais, poderá simultaneamente consultar outras fontes documentais manuscritas que se encontram à sua disposição nos Arquivos Distritais e sobretudo na Torre do Tombo, as quais lhe permitirão enriquecer as biografias das pessoas que são objecto do seu estudo.
São sobretudo de grande interesse para a genealogia os seguintes núcleos e colecções documentais da Torre do Tombo:
- Registos notariais (índices: cadernetas n.os 992 a 1060 do Registo Geral de Testamentos; outros índices dos cartórios notariais de Lisboa e de outros concelhos do distrito de Lisboa);
- Câmara Eclesiástica de Lisboa - Dispensas Matrimoniais, etc. (índices: cadernetas n.os 330A-1 a 150);
- Câmara Eclesiástica de Lisboa - Habilitações de genere para ordens menores e sacras (fundo transferido da Biblioteca da Nacional para a Torre do Tombo, com índices);
- Habilitações de genere para o Santo Ofício (índices: livs. n.os 449 a 471A; cadernetas n.os 1078-1 a 25; cadernetas n.os 974 a 989, habilitações incompletas; caderneta n.º. 990, habilitações de mulheres);
- Habilitações de genere para os lugares de letras ou Leitura de Bacharéis (índices: livs. n.os 259 e 260);
- Habilitações de genere para as Ordens Militares de Cristo (índices: cadernetas n.os 661 a 729), de Avis (índices: cadernetas n.os 644 a 653), de Santiago (índices: cadernetas n.os 734 a 741) e de Malta (índice: caderneta n.º 731);
- Inquisição - Processos da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora (índice já informatizado; para a Inquisição de Évora ver também cadernetas n.os 990A-1 a 113);
- Registo Geral de Mercês (informatizado);
- Chancelarias Régias (índices: livs. n.os 20 a 206, por reinados; Chancelarias de D. Duarte e D. João II com índices já informatizados);
- Desembargo do Paço (Corte, Estremadura e Ilhas; índices: livs. n.os 246 a 255; Minho e Trás-os-Montes, índices: livs. n.os 238 a 242, continuação no ficheiro; Beiras, índices: liv. n.º 245 e continuação no ficheiro; Alentejo e Algarve, índices: livs. n.os 257 a 258A, continuação no ficheiro);
- Processos de justificação de nobreza, para obtenção de cartas de brasão (índice: liv. n.º 17);
- Mordomia-mor da Casa Real (índices: cadernetas n.os 9/1 a 9/162);
- Livros de matrícula dos moradores da Casa Real (índices: livs. n.os 370 e 371, publicados);
- Nobiliários e genealogias manuscritas (índice: liv. n.º484, publicado);
- Livros das Ementas (índices: livs. n.os 261 e 262);
- Vínculos (índices: cadernetas n.os 1063 a 1066);
- Gavetas (índices: livs. n.os 267 a 270);
- Corpo Cronológico (índices: livs. n.os 230 a 234).
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