ILHA DO FOGO - RELATO HISTÓRICO


 

"O respeito pelo passado - eis o traço que distingue a instrução da barbárie; as tribos nômades não possuem nem história, nem nobreza."(Alexander Puschkine)

COMO ERA A ILHA DO FOGO


Produtos e Comércio

Memória ou descrição físico-política das ilhas de Cabo Verde, escrita pelo governador-geral do arquipélago Antônio Pusich. O documento permite-nos conhecer, através das criações e plantações realizadas na região, os hábitos alimentares da época, parte da história do cotidiano dos habitantes das colônias.


Conjunto documental: Secretaria de Estado do Ministério do Reino

Notação: caixa 644

Título do fundo ou coleção: Negócios de Portugal

Código do fundo: 59

Data do documento: 1810

Local: Lisboa

Folha (s): pacotilha 1, doc. 3

 

"A cultura do milho, feijão e abóbora, merece mais cuidado destes insulares: a qualidade deste fruto não é igual em todas as ilhas, pois o milho das Ilhas do Fogo e da Brava é superior aos das outras ilhas (...) Quase em todas as ilhas cultivam a mandioca, não porém em tanta quantidade como deveriam para assegurar  com esta excelente raiz o seu alimento (...) a banana é abundante quase em todas as ilhas a exceção das do Mayo e da Boavista aonde é raríssima; como também a mandioca (...) Em todas as ilhas se cultiva (ainda que com desmazelo)  o algodão, anil e tabaco:  esta última planta é de inferior qualidade.  Em Santo Antão, São Nicolau e Brava se cultiva a vinha até com excesso, pouca em Santo Tiago e no Fogo aonde poderia e deveria aumentar-se por ser o vinho que fazem naquela ilha muito bom (...) As colchas e os panos que constituem, como disse, ao mesmo tempo o vestuário das mulheres é moeda corrente em algumas das ilhas como no Fogo e Santo Antão, são fabricados em teares os mais irregulares do mundo (...) tanto as colchas quanto os panos são de várias qualidades, a saber, de algodão simples - branco, amarelo e azul furete - (...) ou lã (...) e as melhores se fazem na Ilha do Fogo (...) e a maior quantidade dos que entram em comércio para Guiné e que servem de vestuário habitual das mulheres se tecem nas Ilhas do Fogo e de Santo Antão (...) O valor do sal é peculiar das Ilhas de Boavista e do Mayo (...) o dos panos de Santo Antão, do Fogo e de Santo Iago, o do milho do Fogo, da Brava e algum pouco de São Nicolau, a aguardente sai toda de Santo Iago, como igualmente a maior parte do gado e dos refrescos e finalmente o da Urzel fica em São Nicolau, Santo Antão (...) e Santo Iago: Todos estes produtos poderiam muito aumentar e unir-se aos outros que constituíam o antigo comércio destas Ilhas, precisaporém animar-se a agricultura, a indústria nacional e sobretudo a colheita da ursela (...)."











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